domingo, 30 de agosto de 2009

Foi quase uma jornada.
Entre um relance e outro lembro dos pés que eram meus naquele chão que não me apoiou. A vida ali não existia, não mais, "nonada". Enquanto o tremor completo do meu corpo me assaltava o equilíbrio eu te olhava o tempo todo, mas não reconhecia. Seu tom amarelado, a maquilagem que disfarçava aquilo que agora era tua aparência.
De repente, exceto as lembranças, tudo se fez passado. Não mais sua voz, suas palavras, não mais beijar sua testa... Não mais. "Nonada". Mas é tudo.
Guardo comigo tudo, porque eu sei que deu o melhor de si. E você era o melhor de mim. Vai doer, mas ainda que doa, eu não vou te bloquear nas minhas lembranças, nem mesmo economizar palavras pra simplesmente evitar lágrimas, eu vou dedicar cada pedaço de oportunidade a tua tão digna memória.
Muito obrigada por todo o carinho, durante toda minha vida, pelos sorrisos, elogios, conselhos, e principalmente pelos dias repletos de histórias que me encantavam como nunca outros momentos haverão de substituir.
Ser sua bisneta é o maior sentido que eu poderia ter encontrado pra minha vida. Agora eu sei.


















A "moça mais bonita" te escreve com a maior dor do mundo, mas também com o maior amor.
Eu amo você pra sempre, Petrô!

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Sobre a saudade...

A dor que em nós causa a saudade, o mal da saudade, é que de nada mal ela tem. A saudade não nos invade, nós é que com ela vamos ter, ela que tão bem nos acolhe. E lá ficamos, sem nós mesmos, numa virtualidade onde nenhum eu mora. É aí que está a dor, porque matamos a saudade, a que tão bem nos cuidou e voltamos a algo que não nos dará senão em pouco tempo uma nova morada, com o mesmo nome.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Andava rua afora, bagagem nas costas, os pés calçados no asfalto molhado que marcava de forma sonora o momento cada passo daquele sentimento sentido por ela, não por mim. Caminhava segura, ansiosa, com as mãos no bolso do moleton e algumas incertezas sobre o que estava por vir. Sua segurança era sobre continuar. Havia aprendido com um certo garoto que o presente deve ser valorizado, e no fundo sabia que sempre tinha pensado assim, só não o praticava por falta de incentivo.
Sentiu vontade de parar. Havia um excesso de luz que a incomodava de uma maneira que não calculava bem, - até porque matemática não era seu forte. Parou. Sabia que deveria retornar, ainda que não quisesse, ou sabia que não deveria ainda que o quisesse, era de praxe desistir tão fácil das coisas.



Talvez esse texto continue. Talvez.
:)

"O ideal é grande...

.. a realidade é que é pequena."

Melancolicamente, retorno. Lá vou eu novamente gritar para o oco. Não importa. - Não mesmo.
As coisas têm mudado, não é de hoje, e creio ora sim, que há males que vem para o bem. Ora não, mas no momento sim.
Não sei ao certo, mas creio que travei na escrita quando bati de frente com a auto-crítica que dizia: você só escreve para você mesma. Inútil - ou não -, mas quando reli, percebi que gostava, e cá estou, sem pormenores. Estranha essa vida. Realmente muito estranha.
E esse desamor que me corrói...