Onde não mora o novo, um antigo rastejar. Pés sujos, andar racho. Sentiu o chão. Sentiu-o e dele absorveu o que não sabia se bom ou mal, mas absorveu. Fechou os olhos, cancelando o pouco colorido que ainda lhe restava. Há tempos tudo andava deveras empoeirado, e isso não era lá muito agradável. Sentia muito, falava pouco, e mal se importava.
Se encontrava em estado de concentração. Nem ele, nem ela: tudo não passava de um mero existir. Que convenhamos, não é mero, cá nem lá, cima ou baixo. É que tudo andava assim mesmo, em breves cerimônias, frases gastas, demasiados pontos finais - que não finalizavam nada. Ainda que soubesse o caminho de volta, não voltaria. Não era seu costume tardar. Sempre esteve ali. Sempre.
Não sabia explicar, mas soube entender. Devolveu então a energia ao chão e foi ler um livro.
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
Assinar:
Postar comentários (Atom)
3 comentários:
Que Graciliano Ramos! hahaha... é de sua autoria? =)
siiiiim! hahaha é verdade, ficou meio "vidas secas", mas a inspiração não tem nada a ver com a de Graciliano em vidas secas, foi um momento meu mesmo, e o empoeiramento não tem nada a ver com as vidas secas nordestinas também não. hohoho
Eu achei muito parecido com o Gra (hahahaha) por causa dos períodos curtos, e claro, da profundidade das palavras :)
Postar um comentário